Deixa,
deixa assim, uma gota. sem pestanejar. e se disser que sinto-me sem nada aqui?
e corrói, corrói não corrói? é triste para mim ver essas marcas. esses sinais.
sinais de quê? de que nada foi em vão? e então? será algo mais do que isso?
deixa. deixa estar, deixa andar. mas enerva e não imagina. e um dia, um dia
isso teme-se. teme-se. e roda, roda, roda, mas não muda, só roda. encontra-se
um esqueleto semi-morto perante mim, ups caiu ao chão com um toque. vai, vai lá
falar com os teus amigos, quem tu vês. esses aí espero que te ajudem, mas essas
marcas voltaram. voltaram e piores. finjo que finjo para não saberes que finjo
que não vejo e que não sinto.
E muito me
revolta, e muito não me deslarga, e é
porque acordo com isso, e adormeço com isso e vivo com
isso. E quando olho à volta apetece-me enfiar-me num buraco. Óh tira, óh
sai, vai-te, muda-te. Eu mudo-te. Alguém muda-te, alguém há-de
te ajudar. Óh, és tão mesquinha. tão falsa, enganaste-me, enganas-me, enganas
todos, e se tudo aquilo que achamos correcto estiver tudo errado? É que até
aquilo que acreditamos faz parte dela. Óh cuidado que ela engana-nos! Ela
chama-nos, ela mente-nos, óh mas ela revolta-nos, chateia-nos. Óh quem te criou?
Nós mesmos, óh tu tornaste-te numa só, dependente de ti, estás grande, como
cresceste. Como anos passaram e parece que não envelheceste. Seduzes
tudo, seduzes o olhar dos inocentes, como a mulher da vida na esquina das ruas
do Porto. Óh tu vens com promessas de vida boa, precaussos de "vida má". Não te
vais, sempre ficas. Vai-te, roda, muda. Encontra alguém que te muda, ou vem ao
meu encontro, e eu mudo-te, eu não te amo, eu odeio-te, mas sei fingir. Podes
vir eu desfaço-te se puder, vem que eu
mato-te.

Ele passa devagar com o seu
olhar, ele divaga-me as suas palavras, eu ouço-as, ouço-as todas e ficam-me
presas à memória, mas a sua voz, que me entra como uma melodia pelos ouvidos
essa sim, essa que me acalma pela madrugada. Sabe bem um abraço seu naqueles
dias amargurados. Pões tudo nele está equilibrado de acordo em tudo nele e o
seu balanço, os seus gestos é como se gravam na minha memória, como o sei de
cor. É tão bom, tão incerto, o que será bom.. ou não. Como por vezes é tão
fácil tê-lo por perto, mas muitas vezes senti-lo tão longe. Ora hoje avanço,
ora amanhã recuo, receando que meus receios se desventuram, atordoem-me. Óh por
vezes é tão fácil lhe falar, e outras deixo-o passar por mim, sem eu falar
apenas cumprimentar de longe. E preciso-o tão perto, todos os dias tão perto
para que lhe possa sentir sua respiração. E esta amizade tão certa não se pode
diluir neste amor tão incerto, tão grande, belo, perigoso. Pois acordo,
recordando-o todo ele, todos gestos e palavras, como o conheço bem, e como
todos os dias preciso de rever, de sentir de novo, mesmo o sabendo todo ele de
cor, para mim só será mais uma razão para essa necessidade. E ele passa, e eu o
vejo, e eu o sinto, e como o amo, e como o preciso, mas apesar de perto ele se
senta longe, e eu o amo, e a cada momento o batimento se aumenta. Será que
posso?
27 de abril de 2011.
e depois de um ano, cada dia que passa, cada vez aumenta essa minha batida por ti.*